A moda dos drinks com menos álcool: por que os cocktails low ABV estão dominando as cartas de bar
Por Tábita Gonçalves – jornalista de viagens e gastronomia, publisher de Sabores & Destinos
A coquetelaria vive um momento de virada. Depois de décadas onde o glamour era associado a teor alcoólico elevado, o consumo global passou a valorizar bebidas mais leves, com menor graduação — os chamados low ABV.
Low ABV é uma sigla em inglês que significa Low Alcohol by Volume — “baixo teor alcoólico por volume”.
ABV é a medida internacional usada para indicar o percentual de álcool em uma bebida.
Ou seja: low ABV não é zero álcool — é menos álcool do que o padrão habitual, preservando sabor, textura e aroma.
Em grandes capitais gastronômicas — como Milão, Nova York, Londres e Barcelona — cartas com spritzes, vermutes premium, vinhos fortificados leves e cocktails de baixa graduação já são realidade.
E essa estética de bar tem lógica cultural:
o consumo moderado se torna parte da experiência, e não uma limitação.
Além disso, low ABV abre espaço para que o sabor se torne protagonista.
Bartenders trabalham mais com:
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frutas cítricas
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ervas frescas
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bitters aromáticos
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vinhos brancos leves
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espumantes secos
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vermutes artesanais
Drinks assim não saturam o paladar — eles deixam espaço para degustar.
Isso faz com que essas bebidas dialoguem melhor com a gastronomia, acompanhando a refeição em vez de dominá-la.
E esse é um dos pontos mais interessantes: menus degustação, bistrôs contemporâneos e bares de coquetelaria autoral vêm integrando cocktails low ABV ao raciocínio gastronômico — como harmonização sensorial, e não como aperitivo isolado.
Em essência, low ABV é uma nova forma de beber com mais consciência e prazer — e menos impacto alcoólico.
Uma coquetelaria que não embota.
Ela refina.
E esse talvez seja o novo luxo líquido do nosso tempo.