Supermercados brasileiros começam a vender medicamentos e até canetas emagrecedoras
Primeira unidade do Assaí Farma abre em São Paulo e marca o início de uma nova fase no varejo, após mudança na legislação permitir farmácias dentro de supermercados no Brasil
O Assaí Atacadista inaugurou sua primeira farmácia própria dentro de um supermercado e deu início a uma nova frente de negócios no varejo brasileiro. A primeira unidade do Assaí Farma começou a funcionar na loja Anhanguera, em São Paulo, e a companhia prevê chegar a 25 farmácias até o final de 2026.
A movimentação acontece poucos meses depois de uma mudança importante na legislação brasileira. Sancionada em março, a Lei nº 15.357/2026 passou a permitir expressamente a instalação de farmácias e drogarias na área de venda de supermercados, desde que funcionem em espaços próprios e cumpram as exigências legais, sanitárias e técnicas do setor farmacêutico.
Na prática, abre-se um novo mercado para as grandes redes supermercadistas e uma nova possibilidade para o consumidor, que poderá encontrar supermercado e farmácia no mesmo estabelecimento.
Assaí Farma prevê chegar a 25 unidades ainda em 2026
A estreia do Assaí Farma representa um dos primeiros grandes movimentos após a mudança na legislação. A companhia entra em um setor tradicionalmente ocupado pelas grandes redes de drogarias e aposta na conveniência de reunir diferentes necessidades de consumo em um mesmo endereço.
A previsão anunciada pela rede é chegar a 25 unidades do Assaí Farma até o final deste ano. A expansão mostra que a entrada no mercado farmacêutico não deve se limitar a uma experiência isolada e sinaliza o potencial desse novo formato no varejo brasileiro.
Para quem já frequenta o supermercado, a lógica é simples: fazer as compras do dia a dia e ter acesso a uma farmácia sem precisar se deslocar para outro estabelecimento.
E até as canetas emagrecedoras entram nesse novo mercado
As farmácias instaladas dentro dos supermercados não ficam restritas aos medicamentos mais comuns. Por funcionarem como estabelecimentos farmacêuticos, podem comercializar diferentes categorias de medicamentos, desde que respeitem as normas aplicáveis a cada produto.
Isso inclui medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, categoria que reúne produtos que ganharam enorme visibilidade nos últimos anos, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
A possibilidade chama atenção justamente pelo crescimento da procura por esses medicamentos e pelo peso que eles passaram a ter no mercado farmacêutico.
A localização da farmácia dentro de um supermercado, no entanto, não altera as regras para a compra desses produtos.
Desde 23 de junho de 2025, medicamentos agonistas de GLP-1, entre eles Ozempic, Mounjaro e Wegovy, estão submetidos a um controle mais rigoroso determinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A prescrição deve ser feita em duas vias e a venda exige retenção da receita pela farmácia ou drogaria. Segundo a agência, a validade da receita é de até 90 dias.
Remédios não ficarão nas gôndolas do supermercado
Apesar de a novidade ser popularmente entendida como a chegada da venda de medicamentos aos supermercados, o consumidor não encontrará caixas de remédios nas mesmas prateleiras do arroz, do café ou dos produtos de limpeza.
A Lei nº 15.357/2026 estabelece que a farmácia ou drogaria deve funcionar em ambiente físico delimitado, segregado e exclusivo para a atividade farmacêutica, independente dos demais setores do supermercado.
A legislação também proíbe a oferta de medicamentos em bancadas, estandes ou gôndolas externas ao espaço específico da farmácia. Além disso, é obrigatória a presença de farmacêutico legalmente habilitado durante todo o horário de funcionamento.
As unidades também precisam cumprir exigências relacionadas à estrutura, armazenamento dos produtos, controle de temperatura, ventilação, iluminação, umidade, rastreabilidade e dispensação dos medicamentos.
Ou seja, não se trata simplesmente de colocar remédios à venda dentro de um supermercado. O que a nova lei permite é que uma operação farmacêutica completa funcione dentro do estabelecimento.
O que muda para o consumidor?
O principal impacto está na conveniência. O consumidor poderá concentrar diferentes necessidades em uma única visita, encontrando no mesmo endereço alimentos, produtos para a casa e uma farmácia.
Para os supermercados, a mudança abre uma nova oportunidade de negócio e permite ampliar os serviços oferecidos aos clientes. Para as redes de drogarias, significa a chegada de novos concorrentes a um mercado já bastante disputado.
Há ainda outro aspecto que pode pesar nessa transformação: os supermercados recebem um fluxo diário de consumidores que nem sempre entrariam em uma farmácia naquele momento. A presença de uma operação farmacêutica dentro desse ambiente aproxima os dois universos e pode mudar hábitos de consumo.
Ao mesmo tempo, a legislação procura preservar a separação necessária entre as atividades. A farmácia continua sendo uma farmácia, com suas próprias regras, estrutura e responsabilidade técnica, ainda que esteja localizada dentro de um supermercado.
Uma mudança que pode transformar o varejo brasileiro
A chegada do Assaí Farma mostra que a mudança prevista em lei já começa a ganhar forma no cotidiano dos consumidores.
Com 25 unidades previstas pela rede ainda em 2026 e a possibilidade de outras empresas adotarem modelos semelhantes, a presença de farmácias dentro de supermercados pode se tornar cada vez mais comum no país.
O movimento aproxima dois dos segmentos mais presentes na rotina dos brasileiros e inaugura uma nova disputa pela conveniência. O consumidor não encontrará medicamentos espalhados pelos corredores do supermercado, mas poderá terminar as compras do mês e passar pela farmácia antes de ir embora.
O que começou com uma mudança na legislação agora começa a chegar às lojas. E a abertura das primeiras operações deve mostrar, nos próximos meses, até onde supermercados e farmácias poderão caminhar sob o mesmo teto.
Créditos: Assaí Divulgação
Fontes:
Lei nº 15.357/2026, Presidência da República
Governo Federal, explicação sobre a nova lei das farmácias em supermercados
Anvisa, retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1
Anvisa, regras para canetas emagrecedoras como Ozempic, Mounjaro e Wegovy