Nunes Parrilla celebra quatro anos e transforma o fogo em linguagem no 1º Festival de Fogos
Em um cenário onde a gastronomia contemporânea busca cada vez mais conexão, identidade e propósito, poucos projetos conseguem traduzir esses valores com tanta consistência quanto o trabalho de Pedro Nunes à frente do Nunes Parrilla.
Para celebrar os quatro anos do restaurante, o chef realizou, em março de 2026, a primeira edição do Festival de Fogos, em São Paulo.

O que se viu ali não foi apenas um evento.Foi a materialização de uma ideia muito clara: o fogo como ponto de encontro, como linguagem e como experiência coletiva.
Com ingressos esgotados e mais de 320 pessoas presentes, entre amantes da carne, profissionais da gastronomia e também imprensa especializada, o festival já nasce relevante, não apenas pelo número, mas pela qualidade e pelo interesse que despertou no setor. 
Pedro Nunes e a construção de algo maior que um restaurante
O que mais chama atenção no trabalho de Pedro Nunes não é apenas a técnica.
É a intenção.Desde a abertura do Nunes Parrilla, em Pinheiros, fica claro que existe uma busca por identidade. Uma cozinha que respeita a origem, dialoga com a América Latina e entende o churrasco como algo que vai além do prato.
O festival surge como um passo natural dessa trajetória.Mas não é um passo simples.
Reunir chefs de diferentes países, todos com reconhecimento e personalidade, exige não só estrutura, mas visão e, principalmente, pertencimento a essa cena.
Quando Pedro fala que o evento foi desafiador, mas extremamente prazeroso, isso se traduz na experiência. Existe verdade ali. Existe envolvimento. 
Uma experiência que resgata o sentido do churrasco.
O festival aconteceu no dia 21 de março de 2026, das 13h às 19h, em um espaço especialmente preparado em Pinheiros.
A dinâmica era simples e, ao mesmo tempo, muito bem construída: estações comandadas por chefs, pratos preparados na brasa, acompanhamentos completos e liberdade total para o público circular, provar e revisitar suas preferências.
Mas o que mais se percebe é que não se tratava apenas de degustar. A ideia era permanecer. Conversar. Encontrar pessoas e celebrar ao redor do fogo.
O churrasco, na sua essência mais pura, é isso. E aqui ele foi respeitado. 
Os chefs, os pratos e as histórias por trás do fogo
Um dos grandes acertos do Festival de Fogos foi a curadoria.
Cada chef trouxe não apenas técnica, mas uma leitura própria da cozinha de brasa.
De Mendoza, Iván Azar, da Casa Vigil, restaurante reconhecido com uma estrela Michelin, apresentou um sofisticado ojo de bife com cremoso de batata anisado, alioli de ovo frito e criolla, marcado por precisão e elegância.
Do Uruguai, María Elena Marfetán, do Lo de Tere, trouxe um robalo grelhado com purê de feijão branco, conectando o mar à brasa com delicadeza e identidade.
Representando o Equador, o chef venezuelano Luis Maldonado, do Tributo, hoje ocupando a posição #24 no ranking 101 Best Steakhouses 2026, apresentou sua emblemática carne em vara com guasacaca e cachapa recheada com queijo trança, em um prato que carrega memória e potência de sabor.
De Buenos Aires, Pedro Peña, do grupo Thames e representando o José El Carnicero, apresentou um bife acompanhado de salada Caesar, purê de batatas e o criativo “matrimonio”, um bolinho recheado de morcilla que despertou curiosidade imediata, além do clássico flan caseiro, reforçando a tradição argentina.
O México esteve representado por Eduardo Ortiz, do Metzi, que apresentou suegras de alcatra com tostada de milho, queijo mozzarella, guacamole e tutano, em uma leitura intensa e direta da brasa.
No Brasil, a diversidade se destacou.
Priscila Deus criou um dos momentos mais marcantes do evento ao montar uma grelha vertical tipo varal para preparar seu cordeiro com especiarias brasileiras, unindo técnica e impacto visual.
De Curitiba, João Nunes, do Bar Nacional, trouxe o tradicional petisco nacional, enquanto Thiago Gil apresentou um cheeseburger, ampliando o repertório do festival entre o clássico e o contemporâneo.
Cada prato carregava identidade, território e história.
E isso ficou evidente em cada estação. 
Quando o anfitrião também assume o protagonismo

Mesmo em meio a um line-up de peso da gastronomia latino-americana, Pedro Nunes assumiu naturalmente o protagonismo ao apresentar sua costela com sete horas de cocção, acompanhada de creme de cabotiá e queijo, preparada em uma imponente churrasqueira tipo Scheroscopio.
Existe algo muito claro no trabalho dele.
Não há excesso. Há um domínio de tempo, fogo, técnica e sensibilidade. E isso não se improvisa.
Mais do que um evento, um posicionamento. O que o Festival de Fogos deixa evidente é que o Nunes Parrilla não está apenas celebrando uma trajetória.
Está definindo um caminho

A primeira edição do Festival de Fogos não apenas celebrou quatro anos de história. Ela marcou um novo momento.
Um momento em que Pedro Nunes deixa de ser apenas um nome em ascensão e se consolida como um articulador de experiências, capaz de reunir talentos, criar narrativas e transformar a brasa em algo maior do que técnica: um ponto de encontro entre culturas, pessoas e histórias.
Se existe uma tendência clara na gastronomia hoje, ela passa por experiências reais, coletivas e com propósito.
O fogo segue aceso. E, ao que tudo indica, esse é só o começo.
Fotos : Divulgação Nunes Parrilla







